Arquivo do Autor: lschiavon

Ética na ciência em tempo de inteligência artificial

José Tadeu Arantes | Agência FAPESP – A ciência vive um momento paradoxal: nunca produziu tanto conhecimento, nunca contou com tantos pesquisadores ativos, nunca dispôs de tantas ferramentas tecnológicas capazes de acelerar experimentos, análises e publicações. Mas também nunca esteve tão exposta a distorções, alegações falsas e fraudes. Principalmente: nunca esteve tão pressionada pela aceleração da atenção, pelo produtivismo acadêmico e pela inteligência artificial.

Foi sobre esse terreno movediço que o neurologista Esper Abrão Cavalheiro, professor emérito da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) e assessor da Diretoria Científica da FAPESP, construiu sua palestra “Ética e Integridade na Pesquisa Científica: os riscos da IA”, apresentada na Escola Interdisciplinar FAPESP: Ciências Exatas e Naturais, Engenharia e Medicina.

Com a bagagem de quem tem mais de 500 artigos publicados em periódicos especializados, além de capítulos de livros e livros, e décadas de atuação institucional, inclusive como presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Cavalheiro afirmou: “Esta é uma das poucas ocasiões em que falo fora da minha zona de conforto. Não vou falar sobre o cérebro humano, nem sobre a pesquisa que venho fazendo. Vou falar de algo que nos preocupa neste século”. E comparou a ciência que se fazia até o ano 2000 com a ciência feita atualmente: “Fazer ciência até 2000 era muito diferente. Não tínhamos regras escritas sobre ética. Existiam normas implícitas. Sabíamos o que devíamos e o que não devíamos fazer. E isso era natural entre os cientistas”.

Com o crescimento acelerado da comunidade científica mundial, essas normas tácitas deixaram de bastar. “Hoje, temos muito mais gente fazendo ciência, no Brasil e no mundo inteiro. E somos uma sociedade humana: temos o bom e o mau, o belo e o feio”, disse. Em outras palavras, a ciência não é um território isolado da condição humana. E precisa lidar com isso.

Cavalheiro falou que integridade científica significa, fundamentalmente, agir com responsabilidade e rigor desde o início; ser honesto e transparente na prática da ciência; comprometer-se com o bem público, protegendo a confiança da sociedade e garantindo que os resultados publicados possam ser reproduzidos por outros pesquisadores. Além disso, destacou um aspecto a mais: o financiamento da ciência. “O dinheiro que recebemos é público. Vivemos em um país pobre. Pessoas que jamais ouviram falar em ciência estão pagando por nossa pesquisa. Elas merecem bons resultados”, sublinhou.

E acrescentou que o cientista deve se orgulhar de explicar para essas pessoas o que está fazendo e por que está fazendo: “O cartão de crédito, o celular, tudo isso contém uma enorme quantidade de ciência. Para chegarem nisso, empresas usaram uma enorme quantidade de pesquisa humana”.

Salami papers e paper mills

Um ponto especialmente crítico do cenário atual é o sistema de avaliação por número de artigos publicados, que contaminou todo o ecossistema acadêmico mundial. “O lema ‘publish or perish’ (publicar ou perecer) nasceu há mais de um século. E isso fazia sentido, porque os outros precisam saber o que estamos fazendo, e publicar é uma forma de promover o progresso da ciência. Mas virou algo estúpido. Começamos a publicar tudo, em qualquer lugar, porque a métrica passou a ser a quantidade de artigos e não sua qualidade”, enfatizou Cavalheiro.

Ele lembrou dos chamados “salami papers”, que consistiam em fatiar os resultados de um único estudo em várias publicações, para aumentar o número de artigos. “Hoje já nem sabemos mais o que significa ‘publicar’. Há pessoas com mil, dois mil artigos. Outro dia, por exemplo, um estudante com doutorado muito recente veio falar comigo. Ele havia terminado o seu doutorado em 2024 e queria fazer pós-doutorado sob minha supervisão. Pedi para ver o currículo. Em um ano, ele tinha publicado 150 artigos. São aqueles tipos de artigos com dez autores, em que, de um artigo para o outro, o primeiro autor vira o último, o segundo vira o terceiro, e assim por diante.”

Uma consequência, como apontou Cavalheiro, foi o surgimento das chamadas “paper mills”, empresas ou grupos que produzem e vendem artigos acadêmicos para pesquisadores ou instituições que desejam aumentar artificialmente sua produtividade científica. E também das revistas predatórias. “É uma expressão que não deveríamos usar, mas todos sabem do que se trata: revistas que, basicamente, só querem o dinheiro dos autores. E não é pouco dinheiro. Pode variar de dois a 10 mil dólares. Por que elas não fazem revisão por pares? Porque não há qualquer controle de qualidade sobre o que publicam”, afirmou.

AI-gierism, o novo plágio

Segundo o palestrante, a inteligência artificial generativa amplifica esses riscos. Além de formas clássicas de má conduta científica, como a fabricação de dados, a falsificação de dados e o plágio, teria surgido uma nova forma, que Cavalheiro, parodiando o termo inglês plagiarism (plágio), chamou de “ai-gierism”: “É quando você pede à IA para escrever o artigo. Ela pega trechos de outros trabalhos, combina, e produz algo plausível, mas que não é seu. E você envia para publicação sem ler. É o plágio assistido artificialmente”.

Além disso, alertou para um fenômeno igualmente novo e perigoso: referências falsas geradas por IA. “Elas vêm com DOI [sigla para Digital Object Identifier (Identificador de Objeto Digital), um código alfanumérico único e permanente que identifica artigos e outras publicações digitais na internet], título, autores, tudo certinho, mas são invenções. Você procura, e o artigo simplesmente não existe. Existe também o problema de imagens falsas produzidas por inteligência artificial. Há uma dificuldade crescente para diferenciar imagens histológicas reais de versões criadas por IA. Mesmo neuropatologistas experientes podem se enganar.”

Na esteira disso tudo, vem ocorrendo um aumento exponencial de retratações. Como mostrou Cavalheiro, as retratações na área de ciências biomédicas quadruplicaram em 20 anos. E ele trouxe exemplos que ilustram o impacto devastador produzido por resultados falsos amplamente difundidos. O mais emblemático foi o artigo Pluripotency of mesenchymal stem cells derived from adult marrow (Pluripotência de células estaminais mesenquimais derivadas da medula óssea adulta), publicado na Nature em 2002. “Esse artigo teve mais de 4 mil citações. Em 2024, foi retratado. Era falso. Foram 20 anos de pesquisa seguindo uma pista errada. Imaginem o dinheiro perdido”, comentou.

Outro exemplo citado foi o artigo Hydroxychloroquine and azithromycin as a treatment of COVID-19: results of an open-label non-randomized clinical trial (Hidroxicloroquina e azitromicina como tratamento da COVID-19: resultados de um ensaio clínico aberto não randomizado), publicado no International Journal of Antimicrobial Agents, em 2020, que recebeu mais de 3 mil citações, e foi retratado em 2024, por criação e falsificação de dados. Os brasileiros conhecem bem todo o malefício causado pelo uso da cloroquina e da azitromicina como opções de tratamento durante a pandemia.

Recorde de retratações

Conforme estudo da revista Nature, comentado por Cavalheiro, mais de 10 mil artigos científicos foram retratados ou retirados de circulação em 2023, um recorde histórico (ainda não há dados disponíveis sobre o período 2024-2025). Principal causa: má conduta científica, como falsificação de dados e plágio, embora erros honestos também tenham ocorrido.

“O número de artigos retratados está aumentando porque hoje temos muito mais revistas predatórias. Você paga e publica”, sublinhou Cavalheiro. “Em consequência, surgiu uma campanha contra o desperdício de ciência. Porque, quando você lê muitos artigos, muitas vezes se pergunta: ‘Por que estão publicando isso? É sempre a mesma coisa. Ou, então, encontra um artigo com uma pergunta interessante, mas com uma metodologia totalmente inadequada para respondê-la. Outros até trazem bons resultados, mas não conseguem fazer uma boa interpretação deles. Há um estudo mostrando que 85% da ciência publicada hoje simplesmente vai para o lixo. É uma quantidade enorme!.”

Cavalheiro finalizou sua palestra com três recomendações aos pós-doutorandos presentes: a integridade científica exige normas, ferramentas e cultura atualizadas; a IA é um poderoso instrumento, tanto para a descoberta quanto para a decepção; pensem duas vezes, usem seus cérebros. A estes conselhos, acrescentou um apelo mais dramático, ressaltando que a pesquisa exige uma forma particular de sofrimento, não imposto por orientadores ou instituições, mas interno: “A falta de conhecimento precisa doer. Pensar, ler, buscar respostas e não encontrá-las… isso é doloroso. Mas é assim que crescemos”.

FAPESP celebra os 30 anos do Programa Jovens Pesquisadores

Karina Toledo | Agência FAPESP – Criado para atrair e fixar talentos científicos no Estado de São Paulo e descentralizar o sistema estadual de ciência e tecnologia, o Programa Jovens Pesquisadores (JP) da FAPESP completa este ano três décadas de existência. Ao longo desse período, se consolidou como uma das modalidades de fomento de maior sucesso e competitividade da Fundação.

Desde 1995, a iniciativa já garantiu apoio a quase 2 mil cientistas que vivenciavam o momento decisivo de transição entre o pós-doutorado e o início da carreira como pesquisadores independentes, concedendo recursos materiais para que pudessem montar seu próprio laboratório, além de autonomia para conduzir projetos ousados e inovadores.

Parte dessa história é descrita no livro Jovens Pesquisadores – uma ideia que deu certo, lançado na tarde de quinta-feira (06/11) em evento realizado na sede da FAPESP. Além de um breve histórico do programa, a obra traz análises de dirigentes da FAPESP sobre sua contribuição para o fortalecimento da ciência paulista e depoimentos de 35 ex-beneficiários desta modalidade de fomento que hoje ocupam posição de destaque no cenário nacional de pesquisa.

“O programa JP, como ficou conhecido, é exemplo de uma boa ideia que deu muito certo. Boa parte de vocês, reunidos no auditório da FAPESP hoje, são prova desse sucesso”, afirmou Marco Antonio Zago, presidente da Fundação, em vídeo apresentado no início do evento.

A cerimônia de abertura contou com a presença do diretor científico da FAPESP, Marcio de Castro, da presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Helena Nader, e do presidente da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Aciesp), Adriano Andricopulo.

Em sua fala, Castro lembrou que o JP foi criado para responder a um desafio premente em meados da década de 1990: assegurar que recém-doutores com ideias inovadoras e energia criadora, que retornavam ao país após concluir sua formação no exterior, pudessem estabelecer suas próprias linhas de pesquisa de maneira independente, em um ambiente competitivo e de excelência.

“O JP contribuiu para disseminar a pesquisa de ponta, estimulando a criação de novos núcleos de excelência em instituições que até então tinham pouca tradição em pesquisa. Ao fazer isso, a FAPESP ajudou a reduzir as desigualdades regionais e a ampliar a base científica paulista. Diversificando temas, instituições e perspectivas”, avaliou o diretor científico.

Castro também apresentou resultados de um estudo elaborado pela FAPESP, a pedido do Conselho Superior, que ilustram o impacto do JP na carreira dos apoiados e no sistema de ciência e tecnologia paulista. O levantamento comparou dados dos 1.805 pesquisadores beneficiados pelo programa até agosto de 2025 com os de cientistas que solicitaram o fomento, mas tiveram o pedido denegado.

Os apoiados têm idade média entre 35 e 40 anos e cerca de 90% atuam em instituições de ensino e pesquisa. As principais áreas são: Saúde (27,5%), Exatas (22,9%), Biológicas (19,2%), Engenharias (12,6%), Ciências Humanas e Sociais (9,3%) e Agrárias (7,8%). Em média, a remuneração dos apoiados pelo programa é 25% maior que a do grupo que teve o projeto denegado. Já a média de artigos publicados é 40% maior entre os beneficiários, enquanto a de citações ultrapassa a dos não apoiados em 75%.


Dario Zamboni, Gustavo Dalpian, Alessandra Alves de Souza e Carlos Cerri (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

“Em tempo de rápidas mudanças tecnológicas e desafios globais sem precedentes, é essencial garantir que os jovens cientistas continuem encontrando em São Paulo as condições e os incentivos necessários para desenvolver ideias originais de alto impacto. A FAPESP renova hoje seu compromisso com essa missão”, disse Castro.

Na sequência, a presidente da ABC lembrou que o JP foi inspirado em uma iniciativa lançada poucos anos antes pela Universidade de São Paulo (USP) e idealizada pelo então pró-reitor de Pesquisa, Erney Plessmann de Camargo: o Programa Jovens Talentos. Por meio de um edital publicado na revista Nature em abril de 1992, a USP reuniu currículos de 400 pesquisadores brasileiros em vias de doutoramento ou recém-doutorados com experiência internacional que poderiam ser contratados como professores colaboradores, com capacidade para atuar como líderes de pesquisa e ensino, por um prazo determinado. Cerca de 40 chegaram a ser contratados.

“Isso foi uma revolução. Era um pensar diferente. Então, Erney, onde você estiver, não só o que você fez deu certo como, anos depois, a FAPESP criou um programa que está aqui há 30 anos. No Brasil, tradição é difícil. E [tradição] que dá certo, é mais difícil ainda”, pontuou.

Nader também ressaltou que a FAPESP criou recentemente variações do programa JP “mais adequadas ao século 21”, como é o caso do Programa Geração – para cientistas em início de carreira sem vínculo empregatício – e do Programa Projeto Inicial (PI) – para recém-contratados em instituições de pesquisa do Estado de São Paulo.


Tathiane Malta, Fabiana Komesu, Margaret de Castro, Lídia Rebolho Arantes e Rafael Silva Rocha (foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP)

Já Andricopulo, que liderou um projeto JP entre 2002 e 2006, afirmou em sua fala que o programa da FAPESP foi “um divisor de águas” em sua trajetória. Aos jovens pesquisadores de hoje, destacou que, mais do que uma oportunidade individual, iniciativas como esta são um convite à responsabilidade coletiva em um momento em que a ciência é chamada a responder a problemas complexos, em áreas como saúde, mudanças climáticas, energia, segurança alimentar, inclusão social e transformação digital, entre outras.

“Responsabilidade de formar novas gerações e construir ambientes de pesquisa éticos, inclusivos e colaborativos. Responsabilidade de dialogar com a sociedade e comunicar a ciência com clareza. Responsabilidade de utilizar o conhecimento não apenas para avançar fronteiras acadêmicas, mas também para melhorar a vida das pessoas”, acrescentou.

A cerimônia de abertura foi seguida por duas mesas de debate, que reuniram ex-beneficiários do programa JP. Participaram Gustavo Dalpian (IF-USP), Alessandra Alves de Souza (Instituto Agronômico), Carlos Eduardo Pellegrino Cerri (Esalq-USP), Dario Zamboni (FMRP-USP), Margaret de Castro (FMRP-USP), Fabiana Komesu (Ibilce-Unesp), Lídia Rebolho Arantes (Hospital de Amor), Rafael Silva Rocha (CEO da startup ByMyCell) e Tathiane Malta (FMRP-USP). A uma plateia composta em sua maioria por cientistas iniciantes, os debatedores falaram sobre como consolidar uma carreira científica independente.

Diplomação de novos membros da Aciesp

Em cerimônia realizada na quinta-feira pela manhã, também no auditório da FAPESP, a Aciesp diplomou os 19 novos Membros Titulares eleitos em 2025, além de cinco novos Membros Afiliados, que terão mandato de cinco anos (2025-2029). A lista completa pode ser conferida em: https://aciesp.org.br/novos-membros-da-aciesp-eleicao-2025/.

Além de Marcio de Castro, Helena Nader e Adriano Andricopulo, a abertura do evento contou com a presença de Vahan Agopyan, secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, que destacou em sua fala a importância de mostrar à sociedade que a ciência é imprescindível para o desenvolvimento.

“A ABC e a Aciesp foram criadas para debater ideias e exercer a multidisciplinaridade. Então, era muito bom para nós, além de ser prestigioso. Mas no século 21 as coisas estão muito mais complicadas, muito mais complexas. A ciência precisa ser ouvida. Mas nós não podemos imaginar que ela vai ser ouvida se a sociedade não entender a nossa função”, ponderou Agopyan.

Na avaliação do secretário, a FAPESP tem contribuído para esse desafio por meio de programas como o Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs). “Estão demonstrando que, se o governo tem algum problema, conseguimos resolver por meio da ciência. E para minha alegria, este ano o resultado foi fantástico: 13 secretarias se interessaram, superando as minhas expectativas. É um jeito de os políticos entenderem para que serve a ciência”, afirmou.

BVS RIC e EBSCO Information Services oferecem treinamento da plataforma RSC Journals

Visando promover o acesso à informação científica e tecnológica por meio do Portal de Periódicos da CAPES, a BVS Rede de Informação e Conhecimento oferece, com o apoio da EBSCO Information Services, treinamento específico da plataforma RSC Journals. 

O treinamento, destinado exclusivamente a pesquisadores, professores e alunos dos Programas de Ensino da SES/SP, será realizado online pela plataforma Zoom, no dia 25/11/2025 às 11 horas, com cerca de 40 minutos de duração.

Os participantes receberão certificado.

 

 

Para participar, é necessário efetuar a inscrição pelo link:

Sobre a RSC Journals:

A RSC Journals é uma plataforma que visa facilitar o acesso e a disseminação do conhecimento científico, promovendo a comunicação científica e a valorização da produção acadêmica. Oferece uma variedade de serviços, incluindo tutoriais, atendimento personalizado e simuladores de taxas de publicação, para ajudar autores a publicar seus artigos científicos de forma eficiente e acessível.

Plataforma de acesso aberto, oferece ampla gama de revistas científicas e livros, disponibilizando mais de 1 milhão de artigos e capítulos da ciência química, além de uma coleção de bancos de dados e serviços de atualização de literatura.

FAPESP lança 5ª chamada para a constituição de Centros de Ciência para o Desenvolvimento

Helo Reinert | Agência FAPESP – A FAPESP lançou na última sexta-feira (31/10) a 5ª chamada para a constituição de novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs). A Fundação destinará R$ 200 milhões para a realização de pesquisas colaborativas orientadas a problemas específicos, de interesse social ou econômico do Estado de São Paulo. O objetivo é produzir – no prazo mínimo de três anos e máximo de cinco – resultados que permitam o avanço do conhecimento e a melhoria de políticas públicas. O prazo final para entrega de propostas é 3 de março de 2026.

A proposta de formação de um centro deve prever a transferência de resultados e de conhecimento para secretarias estaduais, municipais, órgãos federais e a sociedade. O programa exige a atuação colaborativa entre pesquisadores de institutos de pesquisa, universidades e órgãos governamentais nos três níveis (municipal, estadual e federal). A parceria também está aberta à participação de empresas, organizações não governamentais (ONGs), agências multilaterais, fundos e fundações nacionais ou internacionais. É importante lembrar que as propostas que incluírem esses parceiros deverão ser priorizadas na análise.

O apoio da FAPESP por proposta será de, no máximo, R$ 2 milhões por ano. Cada proposta apresentada pelo pesquisador responsável deverá receber contrapartida de um ou mais parceiros.

A FAPESP já apoia 83 CCDs, selecionados em quatro editais lançados em 2019, 2021, 2023 e 2024. A lista dos centros, com a área de pesquisa e a relação de parceiros, está disponível em: ccd.fapesp.br.

“Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento foram concebidos com a perspectiva de gerar impacto social, tecnológico e econômico na vida das pessoas”, comenta o diretor científico da FAPESP, Marcio de Castro. “A ciência que resulta da parceria entre a academia e os governos tem se mostrado um caminho sólido para oferecer soluções para grandes desafios públicos enfrentados pela sociedade e também pelos próprios governos.”

O edital apresenta cerca de 80 temas estratégicos elencados por 12 secretarias ou órgãos públicos. Nesta edição, participam pela primeira vez a Controladoria Geral do Estado e a Escola de Educação Física da Polícia Militar.

Entre os temas de pesquisa sugeridos pelos órgãos públicos estão, por exemplo, envelhecimento da população; planejamento energético inteligente; robótica para as pessoas com deficiência; games, realidades estendidas e inovação cultural no Estado de São Paulo; ferramenta para a utilização de informações disponíveis em bancos de dados das Notas Fiscais Eletrônicas.

O pesquisador interessado em criar uma proposta do zero encontrará no anexo 1 da chamada o e-mail e o nome da pessoa que será o ponto focal do órgão público. O anúncio das propostas selecionadas ocorrerá em setembro. Todas devem ser enviadas pelo Sistema de Apoio à Gestão (SAGe)

Mais informações em: fapesp.br/17876.

LILACS completa 40 anos!

É com admiração e reconhecimento que a BVS Rede de Informação e Conhecimento – BVS RIC, SES/SP, em conjunto com seus centros cooperantes, parabeniza a LILACS (Literatura Latino-Americana em Ciências da Saúde), coordenada pela Bireme OPAS/OMS, por seus 40 anos de existência.

Muitos de nós acompanhamos a trajetória da LILACS desde seu início, o que nos possibilitou participar de todas as fases e processos de seu desenvolvimento. Foi um período de muito aprendizado, colaboração, entregas e aprimoramento.

Acompanhar o desenvolvimento da Lilacs nos permitiu entender a grandiosidade e a importância de uma coordenação sólida, integrando instituições, equipes e promovendo o trabalho em rede, o que nos faz concluir que juntos podemos mais!

Gerida por uma equipe extremamente organizada e dedicada, que nos motiva a cada nova etapa, a Lilacs evolui, há 40 anos em benefício da organização e disseminação do conteúdo científico e técnico produzido no âmbito das instituições de saúde que compõem a América Latina e Caribe.

A possiblidade de acompanhar essa trajetória e participar de toda evolução da Lilacs, trouxe inúmeros benefícios para nós, da SES/SP. Pudemos contar com capacitações, uso de metodologias próprias, apoio técnico e valorização da produção científica institucional, constituída, em grande parte, por material não convencional, que, antes da existência da LILACS, ficava disperso e com possibilidade restrita de acesso e divulgação.

Atualmente, com os recursos disponibilizados pela Lilacs, a produção científica institucional está organizada, indexada e disponível para acesso, com ampla visibilidade. Os centros cooperantes da BVS Rede de Informação e Conhecimento, estão integrados, atuam de forma conjunta e descentralizada e cooperam com a Lilacs, promovendo o conteúdo científico institucional gerado no âmbito da SES/SP.

Parabéns à Lilacs e a todos os envolvidos nessa grande conquista!

 

Lilian Schiavon
Coordenação da BVS Rede de Informação e Conhecimento
Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo